quarta-feira, 5 de agosto de 2009

BH faz mutirão contra a gripe suína

Belo Horizonte entra em nova fase para atender pacientes com sintomas de contaminação pelo influenza A (H1N1), doença que já matou mais de 100 pessoas no país. Nesta quarta-feira, os postos de saúde da rede municipal começam, efetivamente, a atender casos suspeitos de gripe suína. São 149 unidades, sendo oito UPAS (pronto atendimento), que poderão desafogar o Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Eduardo de Menezes. Também nesta quarta-feira será inaugurada uma ala especial, com dois contêineres, no Hospital Odilon Behrens, o que significa reforço substancial no enfrentamento da doença.

Esse reforço chega em boa hora porque, na terça-feira, corredores de hospitais e de unidades de pronto atendimento estavam lotados: grávidas sem proteção ao lado de pessoas também sem máscaras e com suposta contaminação. Pacientes com febre alta e vômito constante esperando até quatro horas por atendimento. Outra prova da sobrecarga é o número de internados no HC, que já chega ao limite da sua capacidade, que é de 24 pessoas, sendo que na terça-feira havia 22 internadas.

Com 111 casos confirmados e 595 suspeitos, BH aposta na abertura dos postos ao atendimento dos casos suspeitos para tentar regularizar o serviço. Além disso, HC anunciou que abrirá mais oito leitos de CTI exclusivos para tratamento de pacientes graves com suspeita de influenza A (H1N1), sendo dois pediátricos e seis adultos. A expectativa, de acordo com o diretor clínico do hospital, Antônio Luiz Ribeiro, é chegar a 19 leitos. “Atendemos até 100 pessoas por dia. Com a abertura dos postos, esperamos uma redução de 50% na procura.”

Terça-feira, a demora no atendimento do ambulatório referência para casos de gripe suína no HC irritou pacientes. Alegando que estava contaminada, Rosângela Alvarenga Coutinho desistiu de ser atendida e voltou para casa, com febre alta, tosse e dor no corpo. “Fui mal recebida pela equipe médica. Estava há mais de duas horas esperando pela consulta. Por isso, vou procurar hospitais particulares”, reclamou. Reconhecendo que a alta procura resulta em demora, o diretor do HC disse que há nervosismo também entre os médicos. “É uma doença nova, a equipe está se desdobrando e o clima é tenso.”

Com quatro meses de gravidez, Lucilene Pereira, de 27 anos, chegou às 10h à UPA Venda Nova, na região de mesmo nome, dizendo que estava com febre, tosse, dor no corpo e coriza. Passadas cinco horas, a mulher, que, pela sua condição, está incluída no grupo de risco de contaminação pelo influenza A (H1N1), não tinha sido atendida. O maior temor de Lucilene era ser contaminada por outras dezenas de pessoas que esperavam consulta com suspeita de gripe suína. “Estou passando muito mal e com muito medo”, disse, chorando, a jovem, que parecia ter dificuldade para respirar.

Ao lado dela, Geraldo Oliveira Andrade, que não tem dúvida de estar contaminado pelo vírus, também reclamou da demora. “Tenho febre alta, tosse e dor no corpo. Fiz a triagem e me disseram que posso estar com o vírus. Mesmo assim, estou esperando há três horas.” No Hospital Risoleta Neves, em Venda Nova, depois de três horas esperando por atendimento, Ralf Santos, de 26, que, além de tosse e febre alta, vomitava constantemente, foi transferido para a UPA Venda Nova. Ele trabalha no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Grande BH, e contou que todos os dias tem contato com pessoas de vários países. “Tenho sintomas e possíveis vínculos. Mas vou ter que ir a outra unidade e esperar ainda mais para receber atendimento”, reclamou.

Pior estava a promotora de vendas Laene Viveiros. Com febre alta, tosse, dor no corpo e falta de ar, não teve preferência na fila do Odilon Behrens. Ela contou que teve contato com a jovem que morreu em Betim, na Grande BH, uma possível vítima da gripe suína em Minas. “Trabalhei com ela numa empresa onde muitos se contaminaram. Estou há uma hora esperando. O que é um absurdo.”

De acordo com a diretora de urgência do Hospital Odilon Behrens, Iara Cristina Neves, Laene foi classificada fora de risco e, por isso, “podia esperar um pouco pelo atendimento”. “Não quer dizer que quem está com suspeita da doença tenha preferência. Somos o hospital que atende urgência, temos pacientes com várias enfermidades graves. Por isso, pedimos a quem está com suspeita da gripe que procure postos de saúde mais próximos de sua região.”

Mortes

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que a morte de um metalúrgico em Sete Lagoas, na semana passada, foi causada por hantavirose, e não por gripe suína, como se suspeitava. Outras três mortes de mineiros com suspeita de contaminação estão sendo investigadas. Nesta quarta-feira, será sepultada a adolescente que morreu em Porto de Galinhas (PE), onde estava em férias com amigos. Parentes questionam o atendimento que a jovem teria recebido no estado nordestino.

Nota

A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) informou, em nota, que, para atender a população em toda a rede, distribuiu máscaras aos profissionais de saúde e pacientes suspeitos. “Na UPA Venda Nova o protocolo prevê que todo o paciente que relatar estar gripado receberá máscara já na recepção. Os casos suspeitos de gripe A esperam pelo atendimento em um consultório especial para essa demanda”, diz o texto. Ainda de acordo com a SMSA, a UPA Venda Nova atendeu terça-feira apenas um único caso suspeito de influenza A. “O paciente foi imediatamente isolado, recebendo atendimento e sendo encaminhado de volta ao seu domicílio, sem ter contato com os demais usuários na unidade”, acrescentou.
fonte:http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2009/08/05/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=121579/em_noticia_interna.shtml

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