Luciana (nome fictício), de 28 anos, casada, sempre foi vaidosa, preocupada com a aparência, mas logo depois do nascimento do segundo filho teve pânico de continuar engordando e perder os suaves contornos do corpo de antes. Ela não saberia ser gorda e feliz, o que a levou a sucessivas dietas e a ingerir anorexígenos em excesso. Dos remédios controlados, passou a beber exageradamente. Nas festas, consumia cerveja e champanhe e declarava para todos à sua volta que não era ninguém sem a bebida. Substituiu a comida pelo álcool, mas continuou a tomar anfetaminas para manter o corpo magro, até que “pirou”, como contam as amigas. Teve um ataque de nervos na porta do prédio luxuoso em que mora, num bairro nobre de Belo Horizonte. Chamado às pressas, o marido encontrou a mulher desmaiada ao volante do carro. Os dois filhos, de 5 e 2 anos, estavam em prantos no banco de trás.
Aos poucos, as amigas foram se afastando, as empregadas abandonaram o trabalho, uma depois da outra, por não suportarem mais a agressividade e os constantes desmaios da patroa. Quem vê Luciana pode garantir que ela está cada dia mais magra e bela, com corpo de modelo, mas perdeu o bom humor, uma de suas principais qualidades. Nas festas, ela era sempre o centro das atenções, mas aos poucos foi se autodestruindo, principalmente quando falava, sem nenhum constrangimento, que “não sabia como tinha chegado em casa nem com quem”. O casamento está desmoronando, o marido assumiu a tarefa de levar e buscar os filhos na escola, mas ela continua achando que tem de emagrecer mais, mesmo à custa de anfetaminas e álcool.
A drunkorexia (do inglês drunk, que significa bêbado), ou ebriorexia (em espanhol) ou anorexia alcoólica (em português), não pode ser considerada uma nova doença. Nem mesmo os termos são científicos. “São apenas novos nomes para designar quadros que estão em evidência na mídia, ou seja, a associação de transtorno alimentar com uso abusivo do álcool, que tem a função de reduzir o apetite, controlar a ansiedade, encobrir o mal-estar dos conflitos pessoais e das dificuldades de cada um”, explica Ana Raquel Corrêa e Silva, psiquiatra, que faz parte do Núcleo de Investigação de Anorexia e Bulimia (Niab), do Hospital das Clínicas da UFMG.
O fato é que essa associação já preocupa os pais, principalmente depois que o tema foi parar na novela Viver a vida, da Rede Globo. A personagem Renata, vivida pela atriz Bárbara Paz, foi diagnosticada com o distúrbio e sofrerá muito até aceitar que precisa de cuidados médicos.
fonte http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2009/11/01/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=134131/em_noticia_interna.shtml
domingo, 1 de novembro de 2009
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