domingo, 1 de novembro de 2009

Drunkorexia pode levar a desnutrição e morte.

Luciana (nome fictício), de 28 anos, casada, sempre foi vaidosa, preocupada com a aparência, mas logo depois do nascimento do segundo filho teve pânico de continuar engordando e perder os suaves contornos do corpo de antes. Ela não saberia ser gorda e feliz, o que a levou a sucessivas dietas e a ingerir anorexígenos em excesso. Dos remédios controlados, passou a beber exageradamente. Nas festas, consumia cerveja e champanhe e declarava para todos à sua volta que não era ninguém sem a bebida. Substituiu a comida pelo álcool, mas continuou a tomar anfetaminas para manter o corpo magro, até que “pirou”, como contam as amigas. Teve um ataque de nervos na porta do prédio luxuoso em que mora, num bairro nobre de Belo Horizonte. Chamado às pressas, o marido encontrou a mulher desmaiada ao volante do carro. Os dois filhos, de 5 e 2 anos, estavam em prantos no banco de trás.

Aos poucos, as amigas foram se afastando, as empregadas abandonaram o trabalho, uma depois da outra, por não suportarem mais a agressividade e os constantes desmaios da patroa. Quem vê Luciana pode garantir que ela está cada dia mais magra e bela, com corpo de modelo, mas perdeu o bom humor, uma de suas principais qualidades. Nas festas, ela era sempre o centro das atenções, mas aos poucos foi se autodestruindo, principalmente quando falava, sem nenhum constrangimento, que “não sabia como tinha chegado em casa nem com quem”. O casamento está desmoronando, o marido assumiu a tarefa de levar e buscar os filhos na escola, mas ela continua achando que tem de emagrecer mais, mesmo à custa de anfetaminas e álcool.

A drunkorexia (do inglês drunk, que significa bêbado), ou ebriorexia (em espanhol) ou anorexia alcoólica (em português), não pode ser considerada uma nova doença. Nem mesmo os termos são científicos. “São apenas novos nomes para designar quadros que estão em evidência na mídia, ou seja, a associação de transtorno alimentar com uso abusivo do álcool, que tem a função de reduzir o apetite, controlar a ansiedade, encobrir o mal-estar dos conflitos pessoais e das dificuldades de cada um”, explica Ana Raquel Corrêa e Silva, psiquiatra, que faz parte do Núcleo de Investigação de Anorexia e Bulimia (Niab), do Hospital das Clínicas da UFMG.

O fato é que essa associação já preocupa os pais, principalmente depois que o tema foi parar na novela Viver a vida, da Rede Globo. A personagem Renata, vivida pela atriz Bárbara Paz, foi diagnosticada com o distúrbio e sofrerá muito até aceitar que precisa de cuidados médicos.
fonte http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2009/11/01/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=134131/em_noticia_interna.shtml

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Minas tem 10 das 25 melhores universidades do país

Dez das 25 universidades mais bem conceituadas do Brasil estão em Minas Gerais. São Paulo e Rio de Janeiro, com quatro cada um, vêm a seguir. O novo ranking, divulgado segunda-feira pelo Ministério da Educação (MEC), leva em conta o Índice Geral de Cursos (IGC), criado em 2007 para avaliar numa única nota a graduação, o mestrado e o doutorado oferecidos nas salas de aula. O indicador atribui uma pontuação de 0 a 500 a cada instituição de ensino – quanto mais alta, melhor é o desempenho. O resultado é importante porque informa ao aluno como está o estabelecimento em que estuda e ajuda a sociedade a selecionar as empresas que insistem em não se aperfeiçoar ao mercado educacional.

As 25 melhores do país

A planilha também reforça a diferença entre o ensino público e o privado, pois, do seleto grupo de 25 universidades, 20 são federais, três estaduais e apenas duas particulares. Em Minas, as 10 melhores são da União. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ocupa a primeira posição no estado e a terceira no país. Ficou com pontuação 410, atrás apenas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (415). “Temos que trabalhar para chegarmos ao primeiro lugar (geral)”, comemorou o reitor da UFMG, Ronaldo Tadêu Penna, que atribui o sucesso aos alunos, mas, sobretudo, aos professores.

“Costumo dizer que a instituição demanda 25 horas de dedicação. Os profissionais comprometidos com a faculdade são um dos principais responsáveis pelo resultado. Com isso, os estudantes também criam grande motivação para se envolver com os trabalhos da universidade. Estou satisfeito com o reconhecimento da qualidade”, acrescentou. O destaque da UFMG agradou a Camila da Cunha Leite, de 19 anos, estudante do 3º período de arquitetura. Ela avalia que está sendo bem preparada para o mercado de trabalho, pois, desde o início, teve oportunidade de fazer estágios e recebe acompanhamento próximo dos mestres. “Eles têm compromisso com os alunos.”

Mas a grande novidade no ranking de excelência é a Universidade Federal de Lavras (Ufla), no Sul de Minas, que, no ano passado, comemorou seu primeiro centenário. A instituição aparece pela primeira vez no seleto grupo: é a quarta do ranking de excelência, com nota 405. A Ufla desbancou a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (401) e a tradicional Universidade Federal de Viçosa (UFV), também na Zona da Mata, cujos pontos somaram 398. “Temos uma infraestrutura muito boa, tanto nos cursos de graduação quanto nos de pós. E, em relação aos docentes, mais de 95% são mestres e doutores. É uma alta qualificação”, diz João Chrysostomo de Resende Júnior, pró-reitor de Graduação da Ufla.

Já a Universidade de Uberaba (Uniube), no Triângulo Mineiro; a Universidade do Vale do Rio Doce (Univale), de Governador Valadares; e a Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac), que tem vários câmpus no estado e cuja sede é em Barbacena, ficaram com nota 203, a pontuação mais baixa entre as mineiras.
A reitora da Univale, Ana Angélica Coelho, explica que a criação do indicador não leva em conta apenas o conhecimento acadêmico dos alunos. Há questões, segundo ela, que dizem respeito à infraestrutura da entidade e que foge ao conhecimento do estudante. Lembra que o MEC faz pergunta do tipo “você conhece os programas de iniciação científica de sua instituição?”. “Nosso programa de iniciação é riquíssimo e, às vezes, o aluno não o conhece. Uma simples resposta de ‘não conheço ou não sei’ interfere no resultado.”

A Unipac, em nota, informa que “as universidades mineiras, até então vinculadas ao Conselho Estadual de Ensino, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), migraram para o Sistema Federal de Ensino. A Unipac já está tomando as providências necessárias para adequação às exigências do MEC. Diante da nova realidade, a Fundação Presidente Antônio Carlos (Fupac), mantenedora da Unipac e da Rede de Faculdades Isoladas, protocolou no MEC os seus câmpus e demais faculdades. Com relação ao IGC, o mesmo considerou os câmpus pertencentes à Unipac e demais faculdades isoladas, permitindo que se obtivesse um resultado diferente da realidade. As faculdades isoladas devem ser avaliadas individualmente. Sendo assim, a Unipac reafirma seu compromisso com a qualidade do ensino ministrado em seus câmpus e com o fiel cumprimento das exigências educacionais estabelecidas pelo MEC”.

Outras tabelas

O IGC permitiu ao MEC a elaboração de outras duas tabelas. Uma leva em conta os centros universitários. A segunda recebeu a rubrica de “outros”, pois aborda institutos, faculdades isoladas e integradas, escolas de nível superior etc. Nesse caso, a Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape), do Rio, ficou com a maior nota das três tabelas: 469. Mas ela só teve um curso avaliado. Para se ter ideia, a UFMG, com nota 410, teve 42 cursos avaliados. O MEC também divulgou a nota por faixas e, nesse caso, a situação geral das quase 2 mil instituições analisadas não é positiva, pois apenas 1% delas obtiveram a pontuação máxima, que oscila de um a cinco.

Metodologia

Para cálculos do IGC, o MEC usa a média dos conceitos preliminares de cursos (CPC) da instituição, que tem como base o desempenho dos estudantes no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), o conhecimento obtido no curso pelo aluno e variáveis de insumo, como o corpo docente, infraestrutura e organização didático-pedagógica. Para a pós-graduação, o IGC leva em conta critérios estabelecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
fonte http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2009/09/01/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=125463/em_noticia_interna.shtml

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Polícia encontra armas e drogas enterradas em sítio

Dois homens foram presos por policiais do 36º Batalhão da Polícia Militar na madrugada desta quarta-feira, em um sítio no município de Capim Branco, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em uma operação de combate ao tráfico de drogas na região. No sítio, os policiais encontraram armas e entorpecentes enterrados no quintal.

Segundo a Polícia Militar, depois de duas semanas de investigação, a polícia chegou ao sítio, chamado Recanto Mineiro, em Capim Branco, com a suspeita de que o lugar era usado como laboratório de refino de drogas.

De acordo com o sargento Félix, do 36º BPM, as drogas foram achadas enterradas no quintal: 40 quilos de pasta base de cochttp://www.blogger.com/post-create.g?blogID=4727770149771098006aína, aproximadamente 15 quilos de tabletes de cocaína prensada, 15 pacotes de pedras de crack.

As armas estavam enterradas em um tonel, debaixo de uma jabuticabeira: um fuzil 762, duas metralhadoras de fabricação caseira e coletes a prova de balas idênticos aos usados pela PM. Junto com os suspeitos, os militares apreenderam três veículos: um Audi A3 preto, uma picape e uma moto Falcon.

De acordo com a PM, além das armas, drogas e veículos, foram apreendidos 454 cartuchos de munição, seis celulares e uma prensa industrial usada para prensar drogas.

Os suspeitos detidos foram identificados pela PM como Emerson dos Santos Martins e Deivison Gregório de Oliveira. Eles foram levados para a Delegacia de Pedro Leopoldo.
fonte:http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2009/08/26/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=124591/em_noticia_interna.shtml

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

BH faz mutirão contra a gripe suína

Belo Horizonte entra em nova fase para atender pacientes com sintomas de contaminação pelo influenza A (H1N1), doença que já matou mais de 100 pessoas no país. Nesta quarta-feira, os postos de saúde da rede municipal começam, efetivamente, a atender casos suspeitos de gripe suína. São 149 unidades, sendo oito UPAS (pronto atendimento), que poderão desafogar o Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Eduardo de Menezes. Também nesta quarta-feira será inaugurada uma ala especial, com dois contêineres, no Hospital Odilon Behrens, o que significa reforço substancial no enfrentamento da doença.

Esse reforço chega em boa hora porque, na terça-feira, corredores de hospitais e de unidades de pronto atendimento estavam lotados: grávidas sem proteção ao lado de pessoas também sem máscaras e com suposta contaminação. Pacientes com febre alta e vômito constante esperando até quatro horas por atendimento. Outra prova da sobrecarga é o número de internados no HC, que já chega ao limite da sua capacidade, que é de 24 pessoas, sendo que na terça-feira havia 22 internadas.

Com 111 casos confirmados e 595 suspeitos, BH aposta na abertura dos postos ao atendimento dos casos suspeitos para tentar regularizar o serviço. Além disso, HC anunciou que abrirá mais oito leitos de CTI exclusivos para tratamento de pacientes graves com suspeita de influenza A (H1N1), sendo dois pediátricos e seis adultos. A expectativa, de acordo com o diretor clínico do hospital, Antônio Luiz Ribeiro, é chegar a 19 leitos. “Atendemos até 100 pessoas por dia. Com a abertura dos postos, esperamos uma redução de 50% na procura.”

Terça-feira, a demora no atendimento do ambulatório referência para casos de gripe suína no HC irritou pacientes. Alegando que estava contaminada, Rosângela Alvarenga Coutinho desistiu de ser atendida e voltou para casa, com febre alta, tosse e dor no corpo. “Fui mal recebida pela equipe médica. Estava há mais de duas horas esperando pela consulta. Por isso, vou procurar hospitais particulares”, reclamou. Reconhecendo que a alta procura resulta em demora, o diretor do HC disse que há nervosismo também entre os médicos. “É uma doença nova, a equipe está se desdobrando e o clima é tenso.”

Com quatro meses de gravidez, Lucilene Pereira, de 27 anos, chegou às 10h à UPA Venda Nova, na região de mesmo nome, dizendo que estava com febre, tosse, dor no corpo e coriza. Passadas cinco horas, a mulher, que, pela sua condição, está incluída no grupo de risco de contaminação pelo influenza A (H1N1), não tinha sido atendida. O maior temor de Lucilene era ser contaminada por outras dezenas de pessoas que esperavam consulta com suspeita de gripe suína. “Estou passando muito mal e com muito medo”, disse, chorando, a jovem, que parecia ter dificuldade para respirar.

Ao lado dela, Geraldo Oliveira Andrade, que não tem dúvida de estar contaminado pelo vírus, também reclamou da demora. “Tenho febre alta, tosse e dor no corpo. Fiz a triagem e me disseram que posso estar com o vírus. Mesmo assim, estou esperando há três horas.” No Hospital Risoleta Neves, em Venda Nova, depois de três horas esperando por atendimento, Ralf Santos, de 26, que, além de tosse e febre alta, vomitava constantemente, foi transferido para a UPA Venda Nova. Ele trabalha no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Grande BH, e contou que todos os dias tem contato com pessoas de vários países. “Tenho sintomas e possíveis vínculos. Mas vou ter que ir a outra unidade e esperar ainda mais para receber atendimento”, reclamou.

Pior estava a promotora de vendas Laene Viveiros. Com febre alta, tosse, dor no corpo e falta de ar, não teve preferência na fila do Odilon Behrens. Ela contou que teve contato com a jovem que morreu em Betim, na Grande BH, uma possível vítima da gripe suína em Minas. “Trabalhei com ela numa empresa onde muitos se contaminaram. Estou há uma hora esperando. O que é um absurdo.”

De acordo com a diretora de urgência do Hospital Odilon Behrens, Iara Cristina Neves, Laene foi classificada fora de risco e, por isso, “podia esperar um pouco pelo atendimento”. “Não quer dizer que quem está com suspeita da doença tenha preferência. Somos o hospital que atende urgência, temos pacientes com várias enfermidades graves. Por isso, pedimos a quem está com suspeita da gripe que procure postos de saúde mais próximos de sua região.”

Mortes

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que a morte de um metalúrgico em Sete Lagoas, na semana passada, foi causada por hantavirose, e não por gripe suína, como se suspeitava. Outras três mortes de mineiros com suspeita de contaminação estão sendo investigadas. Nesta quarta-feira, será sepultada a adolescente que morreu em Porto de Galinhas (PE), onde estava em férias com amigos. Parentes questionam o atendimento que a jovem teria recebido no estado nordestino.

Nota

A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) informou, em nota, que, para atender a população em toda a rede, distribuiu máscaras aos profissionais de saúde e pacientes suspeitos. “Na UPA Venda Nova o protocolo prevê que todo o paciente que relatar estar gripado receberá máscara já na recepção. Os casos suspeitos de gripe A esperam pelo atendimento em um consultório especial para essa demanda”, diz o texto. Ainda de acordo com a SMSA, a UPA Venda Nova atendeu terça-feira apenas um único caso suspeito de influenza A. “O paciente foi imediatamente isolado, recebendo atendimento e sendo encaminhado de volta ao seu domicílio, sem ter contato com os demais usuários na unidade”, acrescentou.
fonte:http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2009/08/05/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=121579/em_noticia_interna.shtml

quarta-feira, 22 de julho de 2009

lEmpresa suspeita de adulterar frota na Grande BH

Policiais militares do 39º Batalhão acompanharam dois oficiais de justiça que cumpriram mandado de busca e apreensão na sede da empresa de transporte de gás Aguiar Filhos, com sede no bairro Inconfidentes, em Contagem, na Grande Belo Horizonte. A empresa é suspeita de adulterar placas de veículos da sua frota.

Segundo o tenente Jaime Souza, assim que os oficias começaram a vistoria e fotografaram alguns veículos, o gerente de logística da empresa retirou as placas e as escondeu. Ele será detido e existe a suspeita de que outros chassis e placas estejam adulterados.

Foram apreendidos um caminhão e quatro carretas. O caminhão ficará retido, pois encontra-se carregado. Ainda segundo o policial, há cerca de 20 caminhões no local.

Segundo o tenente, a Polícia Civil e advogados da empresa também estavam no local. A empresa foi pocurada pela reportagem mas não havia se pronunciado até o ínício desta tarde.
fonte:http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2009/07/22/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=119710/em_noticia_interna.shtml

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Prefeitos e INSS abrem guerra de números

Na briga entre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e municípios brasileiros pelos débitos previdenciários, o segundo grupo levou a pior. Embora admita que prefeituras devem ao INSS R$ 22,4 bilhões, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) cobra do órgão R$ 26,7 bilhões – o que representaria um crédito de R$ 4,6 bilhões aos cofres públicos municipais. Já a Secretaria da Receita Federal reconhece uma dívida do INSS de apenas R$ 6,7 bilhões. Para resolver a guerra de números, os prefeitos conseguiram garantir na Lei 11.960/09, aprovada no mês passado pelo Congresso Nacional, a obrigatoriedade de um encontro de contas. Mas bastou uma canetada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que a regra fosse retirada.

O presidente Lula vetou ainda outro ponto primordial para os prefeitos: a adoção da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para a atualização dos débitos (atualmente é pela Selic, índice superior de correção). “Isso não é uma atitude inteligente. A inadimplência (das prefeituras) é hoje muito alta. Seria melhor realizar o encontro de contas e adotar um índice menor de correção para que todos pudessem pagar suas dívidas e resolver seus problemas”, diz a deputada federal Rose de Freitas (PMDB-ES), relatora na Câmara da Medida Provisória (MP) 457/09, convertida em junho na lei que trouxe as novas regras para o parcelamento das dívidas com os municípios.

Para chegar ao volume de R$ 26,7 bilhões devidos pelo INSS, a CNM aponta três fontes de receita: ressarcimento pela contribuição de agentes políticos ao INSS entre 1998 e 2004; compensação referente aos servidores aprovados em concurso público; e abatimento determinado pela Súmula 8 do Supremo Tribunal Federal (STF). Este, aliás, é o maior volume de créditos reclamado pelas prefeituras: R$ 18,9 bilhões. A súmula determina a prescrição de todas as dívidas contraídas há mais de cinco anos. Segundo levantamento da CNM, 63% das cobranças feitas hoje pelo INSS deveriam ser canceladas por estarem fora da regra imposta pelo Supremo.

Bola de neve

Graças às parcelas que devem pagar mensalmente ao INSS, os cofres das prefeituras deixam de receber boa parte dos recursos referentes ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – repassados pela União nos dias 10, 20 e 30 de cada mês. De acordo com dados da CNM, 1.367 cidades brasileiras têm na verba mais de 50% de suas receitas. Em outros 3.871, a soma do FPM e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é equivalente a mais da metade da receita.

O presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), o prefeito de Conselheiro Lafaiete, José Milton (PSDB), lamenta a polêmica que ainda envolve a dívida previdenciária. Ele conta que o débito total do município que administra com o INSS chega atualmente a R$ 61 milhões. Com um encontro de contas, poderia se ver livre de R$ 8 milhões que são devidos pelo órgão. “Os reparcelamentos representam uma bola de neve e torna as dívidas a cada dia mais impagáveis. Mas por enquanto não temos alternativa”, afirma.

A renegociação é importante para que os inadimplentes consigam certidões negativas de débitos e tenham convênios aprovados. Por isso os prefeitos têm aderido, ao longo dos anos, a novos parcelamentos com as regras e índices impostos pela União. O Ministério da Previdência foi procurado pela reportagem mas não comentou o assunto.

fonte:http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_3/2009/07/20/em_noticia_interna,id_sessao=3&id_noticia=119334/em_noticia_interna.shtml

terça-feira, 14 de julho de 2009

Brasil tenta vencer barreiras que impedem crescimento sustentado do PIB

A economia brasileira voltou a crescer. É o que apontam vários indicadores econômicos recentes. Depois de enfrentar a crise que jogou o PIB mundial para baixo, aos poucos, o Brasil vai se distanciando da turbulência e se preparando para voltar a apresentar taxas robustas de expansão. A questão agora é: o país conseguirá enfim superar os velhos entraves que barram o crescimento sustentado?

Fazer essa pergunta até há poucos dias soaria esnobe. Seria como se preocupar com a decoração e a qualidade dos móveis de uma casa pegando fogo. Mas, agora que o incêndio parece ter passado – ou diminuído sensivelmente –, os analistas voltam a se debruçar sobre os grandes temas da economia brasileira, menos vinculados ao curto prazo. O economista e professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo é um deles. Para Belluzzo, que trabalhou no Ministério da Fazenda na época do Plano Cruzado, o Brasil é um país com vocação para o crescimento (aliás, até os anos 1980, era o país com a maior média de expansão no século 20), mas que precisa urgentemente resolver alguns problemas estruturais. “Estamos em uma sinuca de bico: a economia precisa avançar, mas ainda tem uma base frágil para isso”, afirma.

O Estado de Minas ouviu outros economistas para falar sobre esses entraves. De modo geral, eles citam a infraestrutura deficiente, a má qualidade do gasto público, o marco regulatório confuso e ineficaz, a baixa taxa de investimento (e de poupança), a alta carga tributária e a desigualdade social, aliada à pobreza. Como se vê, não é pouca coisa, o que mostra o tamanho do desafio que o país tem pela frente. O lado bom é que parece ser consensual a necessidade de encarar esse jogo. E, o que é melhor ainda, todos dizem que o momento para isso é agora. Nathan Blanche, sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada, afirma que tem se surpreendido com os resultados da economia brasileira desde o início da crise.

“Estamos voltando à normalidade dentro da anomalia de uma crise mundial secular. O Brasil surpreende, dado o tamanho da escassez de crédito e da retranca de movimento de capitais em nível mundial. O desafio agora é recuperar investimentos e o nível de atividade”, acredita. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de investimento no país – formação bruta de capital fixo – fechou os três primeiros meses de 2009 em 16,6% do Produto Interno Bruto. Trata-se do menor número para primeiros trimestres desde 2005, quando ficou em 15,9% de janeiro a março. “O país precisa de investimentos voltados para a infraestrutura, uma vez que a capacidade ociosa das indústrias ainda é grande e isso significa que os investimentos no setor vão demorar mais a acontecer”, aponta.

Para tentar resolver a questão, o governo tem nas mãos o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “O problema é que ele ainda não decolou o suficiente por problemas de licenciamento ambiental, falta de recursos, de definições técnicas e dificuldades políticas”, explica Gilberto Braga, professor de economia do Ibmec no Rio de Janeiro. Como 2010 é ano de eleição presidencial, nem mesmo uma esperada pisada no acelerador em 2009 garantirá um aumento significativo da velocidade de implementação do PAC.

O atraso nas obras do programa coloca em risco, por exemplo, o fornecimento de energia no Brasil em 2012, uma das questões cruciais para o desenvolvimento do país. Além disso, a indefinição de marcos regulatórios como o do pré-sal, que o governo vem anunciando desde o final de 2007, também afugentará investidores e atrasará a produção de petróleo em águas profundas no Brasil. “Os tempos de crise são um momento ideal para investimentos em infraestrutura porque eles preparam o país para os tempos de bonança e geram renda e riqueza”, completa Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

A carga tributária e os maus gastos do governo são outro entrave para o crescimento, lamenta o diretor do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Fernando Steinbruch. Dados da entidade mostram que 2008 foi encerrado com uma carga tributária de 36,5% em relação ao PIB no Brasil. “Esse percentual vem crescendo acima do PIB nos últimos anos e isso indica que a população brasileira está ficando mais pobre”, diz. As despesas de longo prazo do governo federal com a folha de pagamento podem comprometer o lado fiscal do país, funcionando como um empecilho ao crescimento.
fonte:http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2009/07/14/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=118584/em_noticia_interna.shtml