Marcos Michelin/EM/D.A Press |  | Clóvis Souza conta que usa vinagre na solução para lavar frutas, legumes e verduras, mas isso não significa que seu organismo | Uma salada de pimentão pode não ser tão saudável quanto parece. Pesquisa da Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde (SES) alerta sobre alimentos contaminados por agrotóxicos, comuns nas mesas dos mineiros e à venda em supermercados e sacolões. Foram analisados 17 tipos de alimentos, entre frutas, legumes e verduras, de quatro grandes varejistas, em duas categorias: excesso da substância ou presença de agrotóxicos não autorizados para a cultura. O pimentão é o campeão, com 86% de amostras insatisfatórias, e o morango está em segundo lugar, com 57%. Ambos superam a média nacional de contaminação, assim como a uva, que empata com a cenoura com 29% de resultados insatisfatórios
O levantamento mostra que, na hora de fazer a feira, é preciso ter cuidado também com a batata, a laranja, o mamão, a alface, o abacaxi e a cebola. Todos eles apresentaram 14% dos resultados insatisfatórios. No feijão, foram constatadas contaminações em 11% das amostras. A boa notícia é que o consumidor pode comer manga, repolho e arroz sem sustos. Esses alimentos passaram pelos testes da Vigilância Sanitária.
A pesquisa da SES integra o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, do Ministério da Saúde, que analisou alimentos em todas as capitais do país, a partir de 2001, para verificar os índices de contaminação de alimentos por pesticidas. Sob coordenação da secretaria, a coleta em Minas Gerais foi feita pela Vigilância Sanitária dos municípios e analisada pelo laboratório da Fundação Ezequiel Dias (Funed).
O maior problema é que não é possível detectar na compra, mas apenas em análises laboratoriais, se o alimento não está contaminado por agrotóxicos. Muito usada em plantações no combate a pragas e a doenças dos vegetais, a substância pode causar males ao homem, como intoxicações. Na casa do engenheiro Clóvis Souza, de 58 anos, não há rigor quanto ao consumo de produtos hortigranjeiros. “O cuidado que temos é o de lavar os alimentos com muito vinagre.” Mas isso pode não ser suficiente, pois os pesticidas se apresentam de duas formas. O sistêmicos são incorporados aos tecidos das frutas, legumes e verduras. Já os chamados de contato se instalam apenas na superfície dos vegetais e têm seu efeito amenizado por uma correta higienização.
De acordo com a gerente de vigilância sanitária de alimentos da SES, Cláudia Parma Machado, a pesquisa contribui para a análise das tendências dos agrotóxicos no Brasil. “Enquanto países como Índia e China estão conseguindo eliminar esses produtos de suas culturas, observamos que eles continuam sendo aplicados aqui.” Ela ressalta que os níveis de pesticidas em certas culturas, como tomate e alface, diminuíram muito.
Em campo
O relatório da SES foi encaminhado à Central de Abastecimento (Ceasa), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), associações de supermercados e ao Instituto Mineiro de Agricultura (IMA), responsável pela fiscalização do uso de agrotóxicos no campo. “A ideia é que cada órgão, dentro da sua competência, ajude a diminuir esses índices”, diz Cláudia.
Mas alguns produtos analisados pela pesquisa mineira vêm de outros estados, como a uva, o que dificulta a fiscalização. Além disso, como esses alimentos são comprados em supermercados e sacolões, é difícil rastrear a origem. No ano passado, o IMA fiscalizou 6.641 propriedades rurais em Minas e autuou 391 delas pelo uso incorreto de agrotóxico. O instituto identificou irregularidades em 16,2% das plantações de cenoura, 63,6% nas culturas de pimentão, 34,3% nas de tomate, 6,5% nas produções de banana e 33% no cultivo de morango.
O coordenador de fiscalização do comércio e uso de pesticidas do IMA, Thales Almeida Pereira Fernandes, informa que o instituto iniciou, no mês passado, projeto de controle de resíduos de agrotóxicos nas principais culturas de morango e tomate do estado. Para combater o uso dos pesticidas, o órgão certifica produtos orgânicos e sem agrotóxicos das lavouras de Minas. fonte:http://www.mundoinfo.com.br/
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