orkut: ferramenta a serviço do jornalista
Com quase 15 milhões de integrantes em todo o mundo – 80% deles brasileiros – o site Orkut, de comunidades e relacionamentos, tornou-se um fenômeno de comunicação que nem mesmo o Google – proprietário da marca – nem seu criador, o engenheiro Orkut Büyükkokten, conseguem explicar. Esta rede social entrou no ar em 22 de janeiro de 2004, com o objetivo de ajudar seus membros a buscar novas e velhas amizades e manter relacionamentos, de ordem pessoal ou profissional.
Além do lado brincalhão e absolutamente sem compromisso da maioria de seus integrantes e comunidades, o Orkut oferece uma série de negócios e oportunidades, como produtos raros, artigos de colecionador, discos de vinil e milhares de propostas – para todos os gostos. De imediato, algumas categorias profissionais perceberam a força desta ferramenta e sua utilidade na oferta e busca de oportunidades, serviços e até mesmo empregos. Não foi diferente com os jornalistas. Uma simples navegação pelo Orkut revela que os profissionais de imprensa do País não dormiram no ponto e o utilizam como ferramenta de trabalho.
Alessandro Mendes
Uma dessas comunidades é "Trabalho para jornalistas", que foi criada pelo colega de Brasília Alessandro Mendes e que na segunda-feira, 24 de abril, contava com 12.927 integrantes. Uma das regras do grupo é que não vale pedir emprego ou perguntar sobre vagas. É permitido somente oferecer ou indicar o nome de empresas que tenham oportunidades de estágio para estudantes ou trabalho para profissionais formados. Quem postar tópicos desrespeitando esses princípios, ou veicular conteúdo de cunho comercial ou publicitário, acaba expulso.
Alexandre Sena
Alexandre Sena – que em seu perfil se define como "polêmico, atrevido, descompromissado e desconcertante" – abriu um tópico na comunidade denunciando empresas que não pagam os serviços prestados pelos jornalistas. Mais de cem colegas aproveitaram o caminho aberto e também se queixaram dos caloteiros. Diz ele:
– Apenas aproveitei o espaço e criei o tópico. Já havia algumas denúncias em tópicos isolados, então decidi abrir outro para aglutinar as informações. O calote é muito comum, pelo menos aqui em Brasília.
José Adaberon Silva
Já a comunidade criada por José Adaberon Silva, "Jornalistas e assessores" – com 10.901 membros –, discute as relações nem sempre pacíficas entre os que exercem as duas funções. Um dos últimos tópicos postados discute a polêmica questão se o assessor é jornalista. Alguns integrantes criticam os colegas "do outro lado do balcão", mas a maioria considera que o trabalho de assessoria de imprensa é igual a outro qualquer, pelo qual muitos passam ao longo da vida profissional.
Bruno Cardoso
Frilas e pautas – Quem é freelancer e está procurando trabalho pode dar uma passadinha em "Freelas", comunidade – 6.792 integrantes – criada pelo jornalista Bruno Cardoso. Já a comunidade "Pautas online" – com 3.449 integrantes – descreve seus serviços da seguinte forma: "Se você é assessor de imprensa e quer uma ‘ajudinha a mais’ para divulgar as suas pautas, basta registrá-las aqui! Jornalistas de redação, usem e abusem!"
Sócia da ABC Comunicação, de Belo Horizonte, a assessora de imprensa Clarissa Lotti sempre busca essa "ajudinha a mais" para melhor atender seus clientes:
– Na verdade, esta não é a primeira vez que o Orkut me socorre na profissão. Sempre entrei nos grupos relacionados a jornalismo e comunicação. Da primeira vez, buscava uma colocação profissional; recentemente, usei para divulgar um cliente de Curitiba. Acho que comunidades como esta são de grande ajuda.
Clarissa Lotti
Para Clarissa, além de divulgar vagas interessantes, as comunidades jornalísticas facilitam o trabalho:
– Entre outras coisas, elas proporcionam caminhos mais fáceis, principalmente no meu campo de atuação, em que o mercado é ainda muito fechado. No caso específico do cliente de Curitiba, as pessoas a quem pedi ajuda através do Orkut foram muito solícitas, receberam minha sugestão de pauta e tentaram ajudar da melhor forma possível. Quanto às vagas de emprego para as quais enviei meu currículo, sempre obtive respostas, mesmo não sendo positivas. O Orkut é uma ferramenta muito útil para auxiliar o dia-a-dia do trabalho e também para estreitar laços entre os profissionais.
Outra comunidade muito freqüentada – são 16.621 integrantes – é a "Profissionais de comunicação", que pretende discutir o mercado e as melhores práticas e ser um espaço para o compartilhamento de experiências e opiniões.
Entrevistas
Bem menor – são 2.230 integrantes –, a "Profissionais de televisão" é dedicada aos profissionais de videoprodução, TV e jornalismo para a troca de informações sobre equipamentos, softwares, idéias, dicas, críticas e eventos.
Já a "Jornalismo online" é formado por 7.278 pessoas que participam de grupos de discussão e respondem a entrevistas na própria comunidade. Bom, há exceções. A integrante que usa o apelido "Lobinha" ficou a ver navios: sua entrevista era um questionário com 20 perguntas. Resultado: ninguém respondeu – afinal, paciência tem limites.
A comunidade – como diversas outras – não aceita qualquer tipo de mensagem de cunho publicitário. Temas como o documentário Falcão – Meninos do tráfico, exibido no Fantástico, e o inesquecível caso da Escola Base de São Paulo, bem como "micos" e "barrigas" da imprensa brasileira, estão na pauta do dia do grupo, que também aceita os que dele se socorrem na busca de personagens para suas matérias.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
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