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Preço da tinta subiu 24% nos últimos seis meses e o IPI ainda não chegou
Ao contrário do que aconteceu com veículos e eletrodomésticos da linha branca, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para materiais de construção, em vigor desde 30 de março – e com duração de 90 dias –, ainda não chegou integralmente ao consumidor. Motivo: a medida não é retroativa aos estoques e, por isso, o repasse em todos os itens incluídos na lista do governo federal só deve começar a ocorrer a partir de meados de maio. Segundo a Associação do Comércio de Materiais da Construção de Minas Gerais (Acomac), este é o tempo médio para que o estoque seja renovado. Por enquanto, na maioria dos pontos de vendas o desconto está sendo repassado somente em itens de giro rápido, como cerâmicas, porcelanas, louças e cimento.
A medida chega em um momento de reaquecimento do setor e a estimativa de redes do varejo é de que provoque um crescimento médio de 20% nas vendas. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) mostram que, em março deste ano, o segmento cresceu 17% em comparação a fevereiro. A expectativa é de que a ampliação dos financiamentos para reforma e compra de material de construção, publicadas na sexta-feira no Diário Oficial da União (DOU), também estimule o consumidor interessado em iniciar uma reforma. As novas regras abrangem as linhas de financiamento que usam recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O limite de empréstimo para reforma ou compra de material de construção aumentou de R$ 70 mil para R$ 80 mil.
Na ponta do consumo, quem precisa utilizar materiais como tintas e vernizes reclama que ainda não percebeu qualquer diferença no orçamento. “No caso da construção, o repasse não é imediato. Acreditamos que o consumidor vai começar a sentir a queda de preços a partir de 45 dias da publicação da medida. Por isso, consideramos importante que o IPI seja prorrogado”, defende Ricardo Caus, presidente da Acomac.
A redução do IPI para materiais de construção foi publicada em 30 de março e a ampliação da lista em 16 de abril. Se for efetivamente repassada ao consumidor, a queda média de preços será de 5%. O microempresário João Fernandes da Silva está reformando dois banheiros e depois pretende pintar a casa. Ele acompanha os preços de perto e calcula que vai gastar, ao todo, R$ 5 mil. “Por enquanto, os preços não mudaram”, afirma. Segundo ele, no custo total da fatura, a diferença pela redução do IPI é significativa e, nesse momento, a alternativa para o consumidor é negociar e até exigir o desconto. “Vou pagar à vista, por isso, o mínimo que tenho que conseguir é 10%. Metade pelo IPI e outros 5% por dispensar o parcelamento em até 10 vezes”, frisa. Com o custo da obra controlado na ponta do lápis, o advogado Maurício Mendes Lucena reclama que o preço da tinta subiu 24% nos últimos seis meses. “O IPI ainda não chegou”, lamenta.
Já o consumidor que está na fase final da obra, comprando louças e revestimentos, se beneficiou do giro rápido dos estoques. “Faço novas compras em média a cada 20 dias. Já estamos repassando o desconto integral do IPI. As vendas aumentaram 20%”, diz André Ferreira, diretor da Ideale Acabamentos. Segundo ele, o desânimo percebido nos últimos meses está sendo substituído pelo efeito positivo da medida. “Ainda não sentimos uma euforia, mas tradicionalmente abril é um mês de retomada da construção. O desconto do IPI chegou na hora certa.” Outro material que está mais barato é o cimento. Iraí Donizetti, dono do depósito Areia Branca, diz que o produto vendido a R$ 20 caiu para
R$ 19 com o IPI. “Parece que a tendência agora é de queda de preço.”
Há ainda mais uma medida de estímulo ao setor: o limite de renda para o financiamento de reforma ou ampliação da casa para moradores de cidades fora das capitais e regiões metropolitanas passou de R$ 3 mil para R$ 3,9 mil. Se a cidade fica em regiões metropolitanas ou tem mais de 500 mil habitantes, o limite é de R$ 4,9 mil. No caso de financiamento para compra de material de construção, o limite passou de
R$ 1,9 mil para R$ 2,8 mil.
fonte:http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2009/04/27/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=107979/em_noticia_interna.shtml

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