
“A montagem é uma tragicomédia, dimensão que Ulysses Cruz descobriu em obra sempre apresentada como tragédia”, explica a atriz. Ela não esconde sua satisfação com o espetáculo, com o elenco – “estamos todos bem, muito afinados” – e com sua personagem, Amanda Wingfield, a senhora de meia-idade, falante e cheia de conflitos. “Ela é inteligente e manipuladora, uma louca”, observa Cássia, acostumada a interpretar mulheres com esse perfil.
Trata-se de texto realista, matéria do trabalho da atriz. “Para fazer com que o espectador acredite em você, o que é essencial no teatro, o realismo, diferente do naturalismo da televisão ou do cinema, é o melhor caminho. Faz com que as coisas se tornem muito presentes, vivas. Quando há uma discussão, é discussão mesmo”, afirma. Ela chama a direção de Ulysses Cruz de trabalho precioso, pois se trata de um encenador que valoriza as sutilezas do texto e busca, com os atores, a melhor maneira de apresentá-las. É ele quem coordena todos os aspectos da montagem: cenários, figurinos, iluminação e evolução dos atores.
Cássia Kiss é só elogios à peça de Tennessee Williams: “É um texto que, com facilidade, entra na boca e na alma de quem está interpretando. Ele escreve para atrizes, assim como Shakespeare escreveu para atores”, observa, destacando o talento e a argúcia do escritor para criar diálogos e situações envolventes, dramáticas e atravessadas por ironia. A atriz vê no autor um candidato a clássico do século 20.
A peça celebra os 30 anos de carreira de Cássia, iniciada com Coronel dos coronéis, também dirigida por Ulysses Cruz. “Hoje, com 51 anos, quero presentear o público com trabalhos que mexam com ele, capazes de fazer com que se diga: Isto é teatro”, afirma ela.
A atriz está no elenco de A festa da menina morta, longa-metragem dirigido por Mateus Natchergaele, e está fazendo filme sobre Clarice Lispector. Para 2010, prepara espetáculo com textos da poeta Adélia Prado.
CÁSSIA POR CÁSSIA
História – “Sinto que fiz coisas importantes na vida. Eu matei Odete Roitmann, em Vale tudo; fiz a grande vilã de Porto dos milagres; a Maria Maruá, de Pantanal; a Ilka Tibiriçá, de Fera ferida; a Lulu das medalhas, na maior novela de todos os tempos, Roque Santeiro. E fiz uma grande minissérie: JK. Tive carreira bonita na televisão, fiz coisas boas no cinema.”
Personagens – “Gosto de destrinchar o universo deles, o que exige vivência, inteligência e sensibilidade. Vivo os personagens e fico marcada por eles. Gosto de ver como eles me constroem como mulher, mãe e ser humano. Sou mulher densa, não sou simplezinha. Tenho competência, mas me preparo e não me meto a fazer o que não sei.”
30 anos de carreira – “É pouco. Dizem que sou boa, mas tenho a expectativa de, aos 60 anos, me tornar uma boa atriz. A vida artística veio da atração por um processo cuja beleza está em destrinchar, minuciosamente, o universo de um personagem para traduzi-lo.”
O ZOOLÓGICO DE VIDRO
Com Cássia Kiss, Kiko Mascarenhas, Karen Coelho e Eron Cordeiro. Sábado e domingo, às 20h30, no Grande Teatro do Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia-entrada).
fonte:http://www.new.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_11/2009/04/24/ficha_teatro/id_sessao=11&id_noticia=10321/ficha_teatro.shtml

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