segunda-feira, 1 de junho de 2009

Montadoras têm semana decisiva.

O mercado automotivo concentra a atenção nos Estados Unidos esta semana. No tabuleiro da crise mundial, a queda do consumo e a inadimplência colocaram em xeque o império quatro rodas americano. A movimentação de peças, contudo, pode dar outro rumo ao jogo. A General Motors (GM) se mexe para não cair. Deve arquivar pedido de concordata (similar à recuperação judicial no Brasil) no Tribunal de Falências de Nova York nesta segunda-feira, com direito a pronunciamento do presidente dos EUA, Barack Obama. E a Fiat pode engolir a Chrysler. A Justiça americana deve se pronunciar hoje sobre o plano que prevê a venda dos ativos sadios da montadora americana ao grupo italiano.

Uma solução para a GM, que durante 77 anos foi líder no setor automobilístico mundial, está mais próxima. Um grupo de credores com direito a 54% da dívida de US$ 27 bilhões contraída pela montadora americana aceitou no início da madrugada de domingo trocar os débitos por ações, com participação de até 25% da companhia que surgirá após a reestruturação da montadora. O presidente do conglomerado, Fritz Henderson, concede entrevista coletiva hoje em Nova York, onde deve anunciar a concordata. Barack Obama também prometeu pronunciamento sobre a situação da maior montadora do país.

Desde dezembro, a GM está funcionando graças aos US$ 19,4 bilhões que o governo dos EUA emprestou à empresa. Além disso, o fabricante diz que precisará de mais US$ 7,6 bilhões a partir de hoje para manter a produção em suas unidades. A montadora sugeriu dar 10% das ações da nova GM e garantia para aumentar a participação aos credores, entre os quais 100 mil investidores individuais. Caberá ao Departamento do Tesouro americano, que patrocinou o acordo e é o principal detentor da futura companhia, determinar se o número de credores que concordaram com a troca foi suficiente. Por enquanto, o Tesouro dos EUA permanece como principal detentor da futura companhia, com 72,5% de participação acionária, seguido pelo United Auto Workers (UAW), central sindical, com 17,5% dos títulos.

Em uma corrida contra o tempo, na noite da sexta-feira, o governo alemão aceitou a oferta de US$ 1 bilhão da canadense Magna International pela Opel, subsidiária alemã da GM. O acordo visa a proteger a Opel de cobranças caso a americana GM peça proteção à Lei de Falências americana. A Magna participou da disputa ao lado do banco russo Sberbank, de onde possivelmente virá o dinheiro, e do GAZ, construtor de caminhões também russo. No sábado, a chanceler alemã, Angela Merkel, comemorou o acordo, destacando o salvamento não só da Opel, como de seus 55 mil empregados na Europa. No processo de reestruturação, está previsto o fechamento de fábricas, demissão de funcionários, venda de marcas e acordos para reorganizar seus mercados.

Mas como essa reestruturação afeta as operações da GM, dona da marca Chevrolet, no Brasil? O presidente da montadora para o Brasil e Mercosul, Jaime Ardila, dará coletiva de imprensa terça-feira justamente para comentar o “estado dos negócios” da empresa no país. O especialista em indústria automobilística José Roberto Ferro, presidente do Lean Institute Brasil, acredita que as movimentações podem respingar no país. “Vai depender do que terá que se desfazer para cobrir dívidas. Nessa equação, pode ser que tenha de vender ativos na América do Sul. A própria Fiat, que já sinalizou certo interesse, pode arrematar algo. Não vejo como bom negócio, porque não haveria sinergia. Mas depende do preço. Por isso, esta semana é tão importante”, avaliou.
fonte:http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_4/2009/06/01/em_noticia_interna,id_sessao=4&id_noticia=112644/em_noticia_interna.shtml

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